domingo, 11 de janeiro de 2009

VEJA a crise econômica mundial

Eu costumo reparar, geralmente, em coisas que muitas pessoas passam despercebidas. Isso pode ser bacana para ter um ponto de vista diferente ou uma maldição para outras pessoas que veem esse hábito como loucura. Bom, não é loucura.


Quem comprou a revista VEJA dessa semana teve uma notável surpresa. A minha foi de imaginar de se tratar de um caderno especial, que geralmente a revista faz, a respeito da crise. A matéria de capa diz "Como não ser o pato da vez" e elabora dicas de como se precaver da crise e não morrer afogado como um pato na lagoa. No entanto, após folhear a revista, vi que se tratava da VEJA em si. Desnutrita, magra, frágil. Fiquei chocado, pois apenas na segunda semana do ano, já reparamos os efeitos da crise financeira na principal revista do país. Os anunciantes praticamente desapareceram seguindo, parodoxalmente, as indicações da revista que te ensina a poupar.

Os grandes anunciantes, como os grandes magazines, desapareceram, restando a solitária Casas Bahia com apenas uma página. Bem diferente dos anúnicos do mês passado, quando a mesma empresa ocupava religiosamente pelo menos duas páginas em seu anúncio principal, fora as tiras de ofertas que se espalhavam pela revista.

Eu contei, naturalmente, todos os anúncios e cheguei ao número de 20 propagandas (retirando aquelas da própria editora da revista). O governo fica com as páginas principais e maiores e a empresa Oi é a que não perde fôlego nas verbas destinadas à mídia. Porém, isso deve ser muito mal para o mercado editorial, que tem um time de jornalistas talentosos e uma folha de pagamento que não deve ser baixa.

Como jornalista, fico com pena de ver uma situação como essa. Se a Veja, que é a maior revista do país está nessa situação, fico imaginando as publicações menores. Deve ter gente já pensando em cobrir a guerra de Israel contra a Palestina. Pelo menos é garantia de emprego enquanto a matança continuar no oriente-médio. Aqui, a matança também está prestes a se deflagrar. As vítimas: milhares de jornalistas que podem ver um ano bem magro no mercado editorial.
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