sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Fábula para ignorantes

Nada me irrita tanto do que a ignorância alheia. Vimos nessa semana através dos jornais a notícia de mais um crime bárbaro passional. O motoboy Marcelo Travitzki Barbosa, de 29 anos, matar à tiros a ex-namorada Marina Sanchez Garnero, de 23 anos, friamente por não aceitar o fim do relacionamento. Não faz muito tempo que presenciamos o mesmo ato covarde pelas mãos de Lindemberg contra a menina Eloá de 15 anos.


O fato em si choca, revolta e chega a provocar desdém em relação a pessoas como essas que não passam de abjetos da sociedade. Eu lamento muito mais não só pelo crime, mas pelos pais dessa moça que pediu ajuda por mais de quatro vezes contra esse rapaz. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, foram dois boletins de ocorrência e dois termos circunstanciados.

Mesmo assim, a polícia não interveio, como também agora deposita parte da culpa da fatalidade à própria vítima. De acordo com o delegado Jair Vicente, do 7º Distrito Policial da Lapa, zona oeste de São Paulo, onde o caso foi instaurado, a jovem nunca deveria ter reatado o namoro com o acusado, mesmo acreditando na sua recuperação. Parace piada, mas é isso mesmo. O delegado, que deve ser vidente também, já deveria saber que o rapaz não era uma boa pessoa. Então, mesmo com as denúncias, por que não o prendeu?

O rapaz foi condenado em 1998 por dois roubos, chegou a cumprir parte da pena em regime fechado e estava em condicional. Eu sou leigo em relação às condições para se ter uma condicional, mas o bom comportamento é fundamental para a concessão desse privilégio. No caso desse rapaz, uma acusação de agressão contra uma pessoa não seria o suficiente para revogar esse benefício e prender novamente esse criminoso.

Não, não, não. A polícia, em sua incontestável inteligência, encarou os incidentes como briga de casal, a qual deve ser recorrente em muitas regiões de periferia, e ignorou completamente a hipótese de estar tratando de um homicida à solta. Eu sinto que uma situação como essa é como presenciar um suspeito entrar com uma bomba dentro de um avião e omitir a informação achando que aquilo possa ser outra coisa, como uma cafeteira portátil.
A polícia negligenciou e omitiu socorro a essa jovem e, se fosse eu na condição de pai dessa moça, abriria um processo contra o Estado. Não só pela falta de inteligência e investigação da polícia, mas pelo deboche feito por esse delegado. Senhor delegado, depositar a culpa em uma jovem que não podia se defender de um facínora como esse é chamar os pais, a família, os amigos e todos que acompanharam essa história de ignorantes. Senhor delegado, essa conta que está no seu colo é sua.
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