quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Eloá: a deturpação de uma imagem

Eu sou contra todo o tipo de difamação. Ainda mais aquelas discriminatórias que refletem uma opinião fora da realidade. Há semanas que a internet é invadida por notícias a respeito do caso da menina Eloá. A barbaridade do crime, a falta de estratégia da polícia, a omissão da polícia em colocar uma refém menor de idade em perigo, etc. Porém, mesmo diante de toda a barbaridade televisionada incessantemente nas últimas semanas, algumas pessoas deturpam o crime com o objetivo de criar um perfil de comportamento da menina.

Todos vimos o quanto Eloá era bonita, precoce e, aparentemente, segura de suas atitudes. Isso se tornou evidente, quando as notícias sobre o namoro de cerca de três anos da garota com seu algoz e ex-namorado Lindemberg vieram à tona. Muitos ficaram perplexos ao saber sobre uma criança constituir um relacionamento tão sério, que acabou se tornando mortal. Eloá era uma garota que queria ser adulta antes do tempo, como a maioria das adolescentes de hoje, mas no fundo era uma criança. Um prato cheio para um facínora como Lindemberg, o qual queria controlá-la e chegava inclusive a bater nela quando a garota discordava de seu temperamento. Deu no que deu.

Agora, graças aos spams, estamos vendo uma nova face de uma suposta “Eloá”. Um e-mail com dezenas de fotos sensuais de uma garota que não tenho certeza se é ela, anda circulando pela internet com o título “Fotos da Eloá, saiba por que o corno do Limdemberg era tão ciumento”. Honestamente, as fotos são pra lá de sensuais, apesar de não existir o nu em nenhuma delas. Porém, a lingerie utilizada pela suspeita “Eloá” e suas amigas é algo que vi somente em filmes adultos ou com namoradas que queriam me surpreender. É sexy, mas isso muda o motivo do crime? Isso faz com que aquela menina deixe de ser uma criança e que Limdemberg tinha todos os motivos do mundo para espancá-la e matá-la a tiros na sua condição de namorado, homem e macho?

Não, meus caros. Eloá tinha sua própria vida particular e se ela (veja bem, se for ela mesmo) e suas amigas gostavam de ser vaidosas e provocantes, isso era único e exclusivo problema delas e da educação que as mães delas ofereciam. Criticar meninas por se vestirem como adultas, digamos como safadas com jeito de inocente, chega a ser hipocrisia. Pois damos espaço para justificar o erro de um bandido e engrandecer um ato imperdoável, que é tirar a vida de uma pessoa de apenas 15 anos.

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