quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Livro: Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones

Keith Richards é o cara! É o cara por diversas atitudes, razões, musicalidade, talento, mas principalmente pela imortalidade – favor não confundir ser imortal com fórmula da juventude, pois o músico virou uma caca. Estou lendo atualmente o livro Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones, de Robert Greenfield, e fiquei estupefato com a condição de vida que essa banda tinha e, ainda hoje, se mantém na ativa. No mínimo, no mínimo, Keith Richards já deveria ter batido as botas.


O livro que conta uma fase da vida da banda, quando se refugiaram na França para gravação do disco “Exile on Main St.”, deixa a música de lado e - perdoem- me o clichê, mas ele é apropriado - penetra nas entranhas da vida cotidiana da banda na época, ou seja, no consumo pesadíssimo de drogas. Eu já li muitos livros que contavam histórias a respeito de grandes lendas do Rock, como Kurt Cobain, Iggy Pop, Guns and Roses, Eric Clapton, etc. O que se tem de comum é o notório excesso de substâncias psicotrópicas e a falta de juízo no convívio com outros seres mortais. Porém, nesse livro, a diferença tortuosa é a falta de trégua com o corpo e o limite. Não existe um único capítulo que não cite a palavra heroína, ou cocaína, ou speed Ball, ou maconha, ou tranqüilizantes, ou bebidas... É pra lá de uma vida desregrada para se fabricar uma obra-prima da história do Rock Roll.

“Exile on Main St." foi gravado em grande parte num porão da Villa Nellcote, uma mansão encravada na Riviera Francesa, sul do país, que havia sido alugada por Keith Richards -e que, segundo rumores, teria pertencido a nazistas durante a Segunda Guerra. Esse disco é considerado o ponto alto da banda, se não o maior de todos já gravados por eles.

É no mínimo perturbador chegar a uma conclusão dessas, diante de um processo tão violento e autodestrutivo contra si mesmo. Keith era o pai do caos e chagava a utilizar heroína, na época a substância responsável pela morte de Jim Morrison, Janis Joplin e Jimmy Hendrix (todos com 27 anos) em menos de um ano, quase todo santo dia. Os convidados da casa entravam e saíam diariamente trazendo drogas, bebidas e tranqüilizantes sem o menor pudor. Dá pra imaginar o cenário legalize?

Eu agradeço aos Stones pelo disco. É fantástico, renovou a banda e criou uma nova fase. Porém estou reavaliando meus conceitos a respeito de certas caretices. Drogas são ruins? Sim, fazem mal e criam dependência e a grande maioria dos usuários acaba se dando mal. No entanto, um livro como esse nos mostra que ela faz parte do processo criativo e que a vida não foi feita para todos, só para os mais fortes, como Keith. Aliás, nesse período, se dissessem que comer pneu dava barato, Keith caía de boca.
Eu senti que a inspiração para algo majestoso, nesse caso, vem de dentro de um banheiro, enquanto você esquece quem é você, onde você está e pra onde está indo. Só é possível enxergar os ladrilhos ficando verdes e embaçados dos azulejos enquanto você transpira nos seus próprios acordes.

É bom, mas não tem nada de música.
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