terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pensamentos nebulosos

O polêmico bispo Richard Williamson, que declarou recentemente que nenhum judeu foi morto na câmara de gás durante o holocausto, tomou uma atitude ainda mais intolerante apoiada na sua nebulosa opinião a respeito da guerra: não pretende conhecer os campos de Auschwitz. Mesmo depois de ter vomitado todo esse clamor anti-semita e, inclusive, defender o Papa Pio XII (que para muitos historiadores foi um cúmplice do nazismo), o clérigo pretende clarear suas idéias lendo.

Pois bem, na visão dele a melhor forma para uma possível retratação é a leitura e compreensão do livro “Auschwitz: Technique and Operation of the Gas Chambers" (Auschwitz: técnica e operação das câmaras de gás) de Jean-Claude Pressac. É um bom livro, mas visitar àquilo que já foi considerado o inferno para o povo judeu não serviria de lição e aprendizado? Será que após 50 anos dessa maldita herança da humanidade, uma pessoa informada, educada, estudada e formadora de opinião como ele, não poderia ajoelhar mais uma vez e admitir culpa por um sacrilégio desses? Não, acredito que isso não seja demais para o senhor, agora excomungado, ex-bispo Williamson. Demais para ele é sustentar ao papado de Josef Ratzinger, o qual é criticado pelos esquerdistas cristãos alemães, e afundar um pouco mais as ideias ortodoxas da igreja católica vá lá, não é tão mal para ele.

O bispo alega que suas investigações feitas na década de 80 são totalmente relevantes e que cerca de 300 mil judeus tenham morrido nos campos de concentração nazistas, bem aquém dos 6 milhões defendidos pela maioria dos historiadores, porém nenhum deles em uma câmara de gás. Ou seja, aqueles relatos feitos por dezenas de milhares de pessoas que sobreviveram essa inglória foram puro delírio. O famoso “banho” da morte nunca ocorrera e, obviamente, os sobreviventes e testemunhas criaram essa fábula macabra para agravar ainda mais os métodos sádicos e as atrocidades cometidas pelos oficiais nazistas contra os judeus.

Eu, provavelmente, tenho um raso conhecimento diante do senhor Willianson para defender uma tese dessas. No entanto, eu li e vi diversos filmes que clarearam ainda mais minha visão quanto à limpeza étnica feita pelos nazistas no período de guerra.

Estou fazendo uma lista abaixo dos livros e filmes que o ex-bispo deveria ler e assistir com enorme cuidado antes de cometer uma gafe maior e ignorante.

Livros
MAUS – Art Spiegelman’s
A Indústria do Holocausto – Norman Fikelstein
Olga – Fernando Morais
Modernidade e Holocausto – Zygmunt Bauman
Hitler e o Holocausto – Robert Wistrich

Filmes

O Pianista – Roman Polanski
A lista de Schindler – Steven Spilberg
A Queda – Oliver Hirschbiegel
A vida é Bela – Roberto Benigni
A metamorfose da Câmara de Gás de Dachau
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